NÃO ACEITE ORDENAÇÃO PASTORAL. CUIDADO JOVENS!

“Ainda que um Anjo apareça e queira te ordenar para o ministério pastoral, você não deveria aceitar sem que algumas coisas aconteçam…”.

GL 1.8

Sim meus irmãos, não basta o impor das mãos. Não basta ter vontade. Não basta que a igreja queira. Não basta formação teológica. Mesmo que um Anjo desça do céu e traga uma ordem de Deus para que alguém exerça o ministério pastoral, alguns princípios precisam estar em sincronia. Permita-me fazer algumas colocações:

1. DEUS PRECISA TE CHAMAR PARA O OFÍCIO

E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres

(RA) Ef 4.11

Ninguém pode exercer essa função sem que tenha recebido de Deus o chamado. É Deus quem estabelece os princípios e as ordens de como se deve proceder na igreja (1 Tm 4.15). Como um corpo com uma prótese de plástico que não têm ligação com a cérebro, assim são todos aqueles que exercem qualquer ofício sem a vontade de Deus no corpo de Cristo, o qual é o Cabeça (Ef 5.23; Cl 1.18).

Esse ofício foi designado por Deus apenas aos homens (Ef 5.23, 1Co 14.34-35; 1Tm 2.11-15). Não porque a mulher não tenha condições ou inteligência. De fato, muitas vezes as mulheres falam melhor e são mais dedicadas e inteligentes que alguns homens. Deus não é machista, mas isso é para a preservação da mulher para que ela se dedique no árduo e digno ministério de mãe (1Tm 2.15). Deus, historicamente já provou o seu cuidado para com as mulheres provendo herança (Nm 36), cuidando para que elas desfrutassem do marido no primeiro ano de casamento sem que ele fosse mandado à guerra (Dt 24.5), impondo a circuncisão apenas aos homens (Lv 12.3).

O princípio que baliza a diferença de função é a ordem da criação, e para que nossa mente não pense que Paulo está dando uma ordem “cultural”, ou seja, apenas para a igreja de Éfeso, ele cita o Éden (1Tm 2.11-14) como fundamento que coloca a igreja em ordem. Nisso não há demérito algum, pois a própria trindade exerce funções distintas sem que haja depreciação na essência divina (O Pai decreta, o Filho executa, o Espírito Santo efetiva a salvação).

O ideal é que a igreja seja pastoreada por um presbitério composto de pessoas mais “experimentadas”. Sim, Deus quer cuidar dos jovens para que não caiam em soberba (1Tm 3.6). Entretanto, existem exceções e devemos respeitá-las (1Tm 4.12), desde que nos enquadremos nos requisitos mínimos do ofício (1Tm 3.1-13).

Portanto, é uma função válida para a igreja nos dias de hoje, é um dom dado por Deus e o homem não deve se apoderar dele ilegitimamente conforme nos ensina a Confissão Belga:

…cada membro deve cuidar para não se apoderar do ofício por meios ilícitos, mas deve esperar a hora em que for chamado por Deus, a fim de ter, assim, a certeza de que a sua vocação vem do Senhor.

Artigo 31

Confira alguns textos que evidenciam a o chamado divino (1Co 12.28; 1Tm 4.14;5.22; Hb 5.4; Ef 4.11-12; At 1.24; 20.24)

2. O HOMEM TEM QUE ALMEJAR O SERVIÇO NA IGREJA

Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja.

(RA) 1Tm 3.1

Parece óbvia essa questão né? mas não! Existem aqueles que exercem a função, mas sem vontade, sem o “chamado interno”. Uma vez que Deus é quem distribui os dons para a edificação da igreja (Ef 4.12; 1Co 12.6), é Ele também que incuti no coração do homem o desejo do serviço e também faz do homem o seu instrumento.

É necessário, portanto, que a vontade de Deus esteja incutida no coração do homem e que este, expresse isto na igreja local.

Contudo, sabemos que é Deus quem chama e também quem capacita e executa todos os seus desígnios na vida do crente independentemente da capacidade humana (1Ts 5.24; Fp 1.6; 1Co 1.26-29; 1Pe 5.10).

3. A IGREJA LOCAL DEVE RECONHECER E ACEITAR A VOCAÇÃO DO PASTOR

Cremos que os ministros da Palavra de Deus, os presbíteros e diáconos devem ser escolhidos para seus ofícios mediante a eleição legítima pela igreja, sob invocação do Nome de Deus e em boa ordem, conforme a Palavra nos ensina.

Confissão Belga, Artigo 31

Não adianta Deus chamar, não adianta o homem querer, e também as duas coisas juntas não bastam se não existir o “chamado externo”. A igreja é quem reconhece o dom do episcopado, a igreja local é quem deve praticar o filtro contra os falsos mestres (Mt 7.15-23).

Quantas vezes eu vi pessoas que chegavam de outras igrejas com o “titulo” de pastor, mas que estes não tinham o reconhecimento da igreja local. Isso prejudica o corpo, trás contendas, porque a igreja local precisa reconhecer a aptidão da pessoa para esta função (At 1.23-24; 6.2-3).

Uma observação, a congregação local não pode impor as mãos sobre uma pessoa e ordená-lo a qualquer ofício. A imposição de mãos deve se dar de líderes para candidatos a liderança. Se na congregação não existe um corpo regente, é necessário que a igreja local procure outra igreja local com governo estabelecido e assim empunhem as mãos sobre o candidato para ordená-lo. Quem faz líderes sãos os líderes, tema para outro estudo…

4. EXEMPLO DENTRO DE CASA

e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito   (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?)

(RA) 1Tm 3.4-5

Já ouviu aquela história da criança que gosta de ir a igreja porque lá seu pai é diferente? Pois é, o exemplo deve começar em casa. Não é um requisito ser casado para pastorear, mas para aqueles que são casados, é requisito que pastoreiem primeiramente o seu lar.

Não existe exceção, é nesse ponto que também não me vejo preparado ainda para liderar uma igreja até o momento. É aqui que eu entendo que o homem não deve ser jovem, é aqui que eu entendo que o homem deve ser maduro e “experimentado”. Aqui se aplica o ideal de Deus “que não seja neófito”. Existe sim jovens maduros, mas são exceções. Em muitos casos um jovem não poderá pastorear pessoas mais velhas ainda por não ter tido o tempo de vida suficiente para lidar com algumas situações.

É claro que eu creio que quem transforma é a Palavra, e que o ministro não deve fazer nada além de aconselhar segundo a Palavra. Nisso os jovens podem estar muito bem treinados e aptos para ensinar (1Tm 3.2), mas culturalmente um israelita não exercia liderança com menos de trinta anos de idade. Porque será que Jesus iniciou o ministério na casa dos 30 (Lc 3.23)? Jeremias conhecia muito bem o ideal de Deus ao declarar “não passo de uma criança” ao ser chamado por Deus para falar aos “cabeças de israel” (Jr 1.6,10).

Portanto é recomendável que para que o homem aceite o ofício na igreja local, tenha o aval da esposa e filhos (no caso dos casados). A entrevista da liderança deve começar com sua esposa e filhos, depois ao candidato.

5. UM ADENDO

No meu ponto de vista, que julgo ser bíblico, não existe pastor de missões, não existe pastor de acampamento, não existe pastor itinerante, não existe pastor jubilado. Mas existe pastor de um rebanho local. Chamamos alguns de “pastores” de maneira carinhosa e até homenageosa, mas não sei se deveríamos. Vou explicar o porque:

Os requisitos de Deus é para a instrução na igreja local (1Tm 3.14-15) com a ministração dos sacramentos, com estudo sistemático das Escrituras e a prática da disciplina eclesiástica.

O Pastor deve ser chamado por Deus, deve almejar o serviço numa igreja local e deve ser reconhecido por ela. O pastorado é uma função, e a pessoa só pastoreia enquanto exerce o ofício num corpo local.

Digo isto porque algumas pessoas acham que uma vez ordenadas, sempre ordenadas. Acham que o pastorado é um dom vitalício. Quantas pessoas já não cumprem mais os requisitos de 1Tm 3.1-13 e ficam desfilando em igrejas com o título de pastor?

Já estão no segundo casamento, cometeram adultério, não souberam cuidar do seu lar, não tem os filhos criados sob disciplina, violentos, beberrões, que dão maus testemunho para aqueles de fora da igreja, avarentos, promovem facção na igreja, saíram de outras igrejas com a ficha suja e chegam com o título de “Pastor”.

A igreja deve se posicionar, estar firmes nas doutrinas da Palavra e preservar os homens que chegam neste estado, não devem designar nenhuma função na liderança. Um pouco de fermento leveda toda a massa (1Co 5.6-7; Gl 5.9).

O que fazer com pessoas assim na igreja? pastoreá-los. Eles precisam entender que a função pastoral é condicionada aos princípios mencionados. A disciplina eclesiástica é prática de amor, é para que a congregação tema (1Tm 5.20), é para que ele não sejam vítimas das ciladas de Satanás e nem sejam eles um motivo de escândalo para a igreja, eles precisam sentar e serem pastoreados. Se tais pessoas não se submetem a igreja depois de ter pecado em alguma área mencionada, devem ser excomungados da igreja (Mt 18.17-20).

Isso vale para todos os ministros e oficiais da igreja, seja lá qual for o título.

CONCLUSÃO

Devemos descansar no kairós (tempo perfeito) de Deus. De que adianta colocar a carroça na frente dos burros? Não foi assim que Moisés feriu a rocha sem a ordem de Deus? (Nm 20.11). Meus queridos, Deus não tarda, ele age no tempo certo. Se Deus nos chamou ele há de realizar em nós a boa obra. Não podemos fazer as coisas na força do nosso braço, caso contrário, seremos próteses sem ligação com a cabeça. Seremos súditos de nós mesmos e não do Rei.

Deus não pode violar sua Palavra dando um “jeitinho”, abrindo exceções. As regras estão claras, os requisitos são para todos.

Ele chama, nós almejamos, a igreja reconhece, nossa família apoia.

Enquanto isso, devemos nos dedicar ao conhecimento das Escrituras e na evangelização das almas. Estudar a palavra é nosso dever, conhecer a narrativa e a sistematização lógica das Escrituras é nossa obrigação.

Aproveite bem o tempo de preparo, pois, quanto melhor o fio da navalha, mais eficaz e eficiente será o trabalho.

Deus abençoe a todos,

com carinho Rafael Soletti.

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