Apologética

NÃO SAO DELE

Esses dias atrás estava conversando com um irmão em Cristo sobre Deus e Sua Palavra. Uma senhora estava do lado, só ouvindo, não frequentava nenhum meio Cristão. Depois que terminamos ela comentava o como era gostoso ouvir nossa conversa. No fim, ela disse que queria uma Bíblia.

Em contrapartida, várias pessoas saem de perto quando começamos a falar sobre Deus. Algumas se dizem da igreja, mas quando falamos sobre alguns assuntos contrário ao seu entendimento sobre Deus, dizem: “Religião, política e futebol não se discute” e acabam saindo de fininho do ambiente, não tem prazer ou intenção no crescimento da fé.

Nessas horas eu me lembro de textos como:

Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. Jo 10.14–15.

As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito. Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Jo 10.25–27.

Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna. At 13.48.

Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Jo 6.44.

É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus; Jo 17.9.

VOCÊ É DELE?

Rafael Soletti

Apologética

Vertentes cristãs que propiciam a intolerância em um Estado Laico

O “Estado”, é uma nação sob o comando de um governo instituído. Sendo assim, o “Estado” é laico quando o poder político estabelecido não se opõe e nem apoia nenhuma religião. Estado e religião não se misturam, isto é, as decisões governamentais não dependem de interesses religiosos.

No Brasil o Estado é laico desde 1890. É um Estado, por assim dizer, tolerante, e, portanto, contra qualquer tipo de intolerância religiosa.

O Cristianismo bíblico é uma religião que busca tirar adeptos de outras religiões através da persuasão. É da natureza do Cristianismo esse ato proselitista. Essa característica inerente ao Cristianismo, dá-se mais ou menos agressivamente; com maior ou menor insistência. Seja como for, não deve jamais revestir-se de atos de intolerância.

João Batista, preparando o caminho do Senhor (Is.40:3), pregava no deserto o arrependimento (Mt.3:1-2).

Quando Jesus Cristo ouviu que João Batista estava preso, começou também a pregar o arrependimento (Mt.4:17).

Depois de ressurreto, pouco antes de subir aos céus, Jesus abriu o entendimento dos discípulos para compreenderem as Escrituras quanto ao escopo de Seu ministério. Disse a eles que o resumo era que “em seu nome se pregasse o Evangelho de arrependimento para remissão de pecados” (Lc.24:47).

A pregação de arrependimento exige a denúncia de pecado, para que o pecador saiba do que tem que se arrepender. É uma obviedade.

Dias depois, Pedro, que agora entendia as Escrituras, obedeceu a ordem do Senhor Jesus e fez a pregação legítima do Evangelho, denunciando o pecado. Ao ouvirem, os pecadores, possuídos de convicção de pecado, com aquela necessária “tristeza segundo Deus” (II Co.7:10), foram orientados por Pedro: “Arrependam-se” (Atos 2:14-37).

Não existe nas páginas do Novo Testamento um registro sequer de que os apóstolos tenham feito pregação do Evangelho seguida de um “apelo”, nem jamais encontramos o famoso convite: “aceite a Jesus”.

Quando Jesus Cristo afirma que Ele é “o caminho, a verdade e a vida”, e que ninguém irá ao Pai a não ser através dEle (Jo.14:6), está dizendo que todas as outras religiões estão erradas, e que seus seguidores irão para perdição eterna. Essa verdade, para alguns, soa como intolerância religiosa. Como os seguidores de Jesus Cristo (cristãos) são proselitistas em cumprimento de uma ordem dada por seu Mestre (Mc 16:15), e ai deles se não cumprirem essa obrigação (I Co.9:16), a perseguição e o sofrimento são presumidos (II Tim.2:24-25 c/c II Tim.4:5).

Todo cristão legítimo (bíblico) sabe que a soberania divina quis que o meio de graça para a salvação fosse a pregação do Evangelho (I Co.1:21 c)c Rm.10:14). Há, entretanto, dois entendimentos distintos que intensificam ou amenizam as denúncias de Intolerância religiosa praticada por cristãos.

O primeiro grupo, entende que a pregação do Evangelho deve ser feita, denunciando o pecado, dizendo que Jesus é o único caminho. Os pecadores, que nessa ótica, já são dantemão “ovelhas do Senhor” (Jo.10:27), darão ouvidos à pregação porque são trazidas pelo próprio Deus a Jesus (Jo.6:44), e é só por elas que Jesus deu a Sua vida (Jo.10:15). Como já estavam preordenadas (escolhidas) para a vida eterna (Atos 13:48), entenderão a mensagem porque já são de Deus (Jo.8:47), enquanto que aqueles que não deram ouvidos, não o fizeram porque nunca foram de Deus de Deus (Jo.8:43).

Nessa perspectiva, não há “apelo”, a adesão (conversão) segue um curso natural, e as tensões são reduzidas quanto às denúncias de Intolerância religiosa.

O segundo grupo, entende que a pregação do Evangelho deve ser feita, sem que necessariamente o pregador precise denunciar o pecado, mas que faça o convite para o pecador “aceite a Jesus como seu Salvador” (Rm.10:13 c/c Mt.11:28). Aqui não existem pecadores preordenados para a vida eterna. As adesões (conversões) são assentimentos ao nome de Jesus, e devem ser buscadas por meio de pregações que atraiam o maior número de adeptos, sendo válidos todos os meios tidos como legítimos, sempre com o solene apelo no final. A movimentação é intensificada, e os esforços são dirigidos a reunir nos espaços religiosos (igrejas) o maior número possível de pessoas. As preocupações humanistas se sobrepõem às de natureza transcendental, e nessa perspectiva, as incompreensões quanto à Intolerância religiosa ficam mais explícitas, intensificando as denúncias.

Há, portanto, dois tipos de pregação do Evangelho no assim chamado protestantismo cristão. Ambas produzirão algum grau de sofrimento e perseguições.

Contudo, uma está focada simplesmente no anúncio do Evangelho, e a outra na conquista de pessoas.

Na simples semeadura do Evangelho, considerando a priori que só as ovelhas ouvirão, há uma constatação implícita do chamado Estado laico, sendo, portanto, pacífica as relações com os diferentes.

Na busca por pessoas que aceitem a Jesus, o Estado laico não é pressuposto, porque grande esforço é feito para o convencimento dos diferentes, para que, ao ouvirem os apelos, passem a ser ovelhas do Senhor.

A conclusão é que ambos os grupos operam dentro do Cristianismo a partir da formação que receberam. Há, de ambos os lados, uma certa acomodação acrítica dos pressupostos internalizados.        Quando fazemos o exercício salutar de nos posicionarmos do lado de fora, olhando para os dois grupos à luz da revelação escrita, é possível concluirmos qual está conectado com as verdades eternas.

Presbítero Ivo Matias Damas

Apologética

CALVINISTAS LEGÍTIMOS USAM ARMAS DE FOGO

Confie em Deus, e mantenham a pólvora seca.

Oliver Cromwell
UM POEMA ÉPICO MODERNO EM QUATRO CANTOS. John Trumbull fala sobre o costume dos irmãos usarem armas pra se defender.

Então, uma vez, por temer ataques indígenas, nossos antepassados levavam suas armas ao se reunirem, cada homem equipado no domingo de manhã com o livro de Salmos, munição e pólvora.
E considerado em forma, como todos devem admitir, como a antiga e verdadeira Igreja militante

John Trumbull

O direito à ampla defesa da vida, bem como da propriedade, independem da tutela do Estado, são intrínsecos à natureza humana.

Do ponto de vista daquele que sofre a ameaça à sua vida, ou ataques à sua propriedade, pouco importa se esses agravos procedem do Estado, de entidades da sociedade, de marginais ou de políticos. O tempo e o espaço tampouco interferem nessa característica fundamental da existência humana.

CALVINISTAS NA NOVA INGLATERRA (EUA)

Em todos os municípios de Massachussets, no ano de 1640, havia o costume dos crentes puritanos irem ao culto levando armas de fogo, pólvora, munição e espadas. Um homem armado para cada família era considerado o suficiente.

Depois, em 1642, consideravam que em cada igreja seis homens armados com mosquetes, pólvora e munição, seriam suficientes para garantir a proteção dos crentes. Até pelo menos os anos 1950, todo mundo usava chapéu. Homens, mulheres, ricos e pobres. Nas igrejas havia sempre na entrada do salão de cultos um porta-chapéu. Era necessário. No caso das armas de fogo de nossos irmãos calvinistas, à distância, a cena nos parece pitoresca.

Puritanos Armados

Em New Hampshire, na cidade de Conrad, todos os homens iam armados para o culto portando armas de fogo. Havia uma coluna no centro do salão de cultos usada para que os irmãos colocassem seus mosquetes para pronto uso, se necessário.

O pastor, bem treinado, era sempre um exímio atirador e possuía a melhor arma que ficava bem ao lado do púlpito, pronta para ser usada. Qualquer movimento estranho de alguém suspeito, o pastor estava pronto para mandar fogo, e, caso fosse necessário, comandar a congregação numa eventual batalha.

Esse quadro que eventualmente alguns podem achar dantesco, decorria do ambiente de violência a que os irmãos estavam expostos. Não parecia àqueles irmãos razoável aguardar que o Estado lhes socorresse a tempo, colocando-se sob ameaça à integridade física, bem como a ataques ao seu patrimônio, sem uma reação enérgica correspondente.

O espírito moderno de resiliência incrustado na mente ocidental por doutrinação ideológica de esquerda, favorecido e instrumentalizado pela grande mídia, não combina com o pensamento daqueles irmãos calvinistas que julgavam que isso significaria manifestação de covardia.

CALVINISTAS NA INGLATERRA

O uso de armas de fogo para auto defesa no seio do puritanismo (calvinismo) inglês, pode melhor ser entendido quando olhamos um pouco da história. As terras da Igreja Católica Romana foram convertidas em propriedades privadas pelo rei Henrique VIII, por razões bem conhecidas.

Isso simbolizava uma ruptura com o catolicismo romano. A principal beneficiária desse ato foi a burguesia. Henrique VIII era da dinastia Tudor. Finda esta dinastia, assumiu o poder na Inglaterra a dinastia Stuart, que permaneceu de 1603 a 1625.

O rei Jaime I, da dinastia Stuart, favoreceu vá nobreza em detrimento dos interesses da burguesia. Era de visão absolutista. Jaime I perseguiu os puritanos (calvinistas), que eram da religião predominante. Dissolveu o Parlamento entre 1614 e 1622. Morreu em 1625, assumindo o trono em seu lugar Carlos I (1600-1649), seu filho.

Tão cruel quanto seu pai, Carlos I continuou a perseguir os puritanos. Nesse contexto onde a diplomacia não conseguia surtir efeitos positivos, a pólvora se fez presente.

Revolução Puritana

Levantou-se o líder puritano Oliver Cromwell (1599-1658). Organizou um exército burguês para defender o Parlamento contra Carlos I. Houve uma guerra, dando inicio a que ficou conhecida como “Revolução Puritana”. O direito à vida e à propriedade têm a ver com liberdade, e isso era muito caro àqueles irmãos e precisava ser defendido com firmeza até às últimas consequências.

Essa revolução era de cunho religioso, mas também visava pôr fim à perseguição. As tropas de Cromwell conseguiram derrotar as de Carlos I. Prenderam e decapitaram o rei Carlos I em 30 de janeiro de 1649. Oliver Cromwell deu então a famosa instrução:

Confie em Deus, e mantenham a pólvora seca.

Cromwell assume o comando da Inglaterra pondo fim à dinastia Stuart. Em maio de 1649 proclama a República. Foi de curta duração. Logo o Parlamento se revoltou contra Cromwell, o que o forçou a dissolvê-lo, matando as principais lideranças do exército burguês.

Foi instituída assim uma ditadura. Depois de curto período, Cromwell restaurou o Parlamento em 1657. No ano seguinte (1658), faleceu. Assumiu o seu lugar seu filho Richard Cromwell (1626-1712). Sem força política, os radicais burgueses convocaram Carlos II (1630-1685), filho do rei Carlos I (1600-1649) que havia sido decapitado em 1649.

Foi então restaurada a dinastia Stuart. Com isso, os puritanos voltaram a ser perseguidos. Coroado em 1660, Carlos II, logo mostrou suas intenções absolutistas, e, pior que isso, sua face católica romana quando aproximou-se do rei Luis XIV, da França, que perseguia calvinistas.

Como o Parlamento reagiu à aproximação ao catolicismo romano, Carlos II dissolveu o Parlamento em 1681, e passou a governar a Inglaterra sozinho até 1685. Morreu naquele ano (1685), assumindo o trono o seu irmão Jaime II (1633-1701). Manteve a aproximação com a Igreja Católica, mas restaurou o Parlamento.

O Parlamento era de maioria puritana (calvinista), e, portanto, reagia à aproximação do rei com o rei da França. Porém, um confronto não parecia ser prudente naquele momento.

Como a filha de Jaime II (Maria II – 1622/1694) era casada com Guilherme de Orange (1650-1702), rei dos Países Baixos, os parlamentares usaram uma estratégia: convidaram Maria II para assumir o trono da Inglaterra. Seu marido (Guilherme de Orange) ficou com medo de que sua mulher ficasse mais poderosa que ele. Então, em 1688, decidiu invadir a Inglaterra e destituir o rei Jaime II do trono com o apoio do Parlamento.

Destituído, o rei Jaime II (1633-1701) fugiu para a França, onde permaneceu até sua morte. Guilherme de Orange foi então coroado rei da Inglaterra com o nome de Guilherme III. Só que, antes de ser coroado, os parlamentares fizeram uma exigência: que ele e sua mulher, Maria II, assinassem a famosa “BILL OF RIGHTS” (Declaração de Direitos) em 1689.

BILL OF RIGHTS (Declaração de Direitos-1689)

Com esse documento estava sendo criada a monarquia constitucional que vige até os dias de hoje, reduzindo o poder do rei, e garantindo a liberdade religiosa, ficando registrado de maneira bem clara o DIREITO DOS PURITANOS (protestantes) DE DEFENDEREM SUAS VIDAS E PROPRIEDADES COM ARMAS DE FOGO:

Art.7 – Que os súditos protestantes podem ter, para a sua defesa, armas necessárias à sua condição e permitidas por lei.

Quando vemos os calvinistas aqui relatados usando armas para defender suas vidas e propriedades, é preciso que reconheçamos que eram crentes fiéis, exímios exegetas bíblicos, que de maneira acertada, olharam para a Escritura Sagrada e não viram ali qualquer incompatibilidade com esta forma de agir, bem como o menor vislumbre de instrução para a formação de uma comunidade composta por covardes.

Armas nos Cultos

ARTIGO DE:

Presbítero Ivo Matias Damas
Professor de Filosofia da Religião no “Centro de Formação Teológica – CEFORTE”. Guarulhos/SP.

FONTES DE PESQUISA

  • “The Sabbath In Puritan New England”. Alice Morse Earle – Ed.Pinnacle Press, 2017.
  • “Direitos Humanos: Uma Antologia – Declaração Inglesa de Direitos, 1689”. Micheline R. Ishay – Ed. Edusp/SP, 2006, p.171 a 173 .
  • “O Século das Revoluções, 1603-1714”. Christopher Hill – Ed. UNESP/SP, 2012.
  • “Revoluções Inglesas: A Revolução Gloriosa e o fim do absolutismo na Inglaterra”
  • – História da Civilização Ocidental. Lizânias de Souza Lima e Antônio Pedro – Ed. FTD/SP, 2005, pp.237-239 .
  • https://www.britannica.com -“English Civil War|Causes, Sumnary, Facts, Battles, & Significance|britannica” . consulta em 18.10.2021.
  • “The English Civil War: A peoples history”. Diane Purkiss – Ed. HayesCollins Publishers; UK ed., 2007 .
  • https://educacao.uol.com.br – “Revolução Inglesa:  Cromwell, Revolução Puritana e Revolução Gloriosa”, consultado em 18.10.2021 .
  • “McFingal: a modern epic poem”. John Trumbull – Ed. Fale ECCO, 2010 .