DESFRUTANDO A VIDA ETERNA NO PRESENTE: O AMOR AOS IRMÃOS

Mariza Tavares de Souza

O Novo Testamento deixa bastante claro que a vida eterna não se trata de uma condição que recebemos quando morremos e vamos para o céu. Ao contrário, trata-se de uma vida que podemos desfrutar no presente. É muito mais do que uma vida próspera financeiramente, uma profissão bem-sucedida, um casamento feliz ou uma família unida. É a vida que Cristo apresenta, quando diz: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt. 4.4). É desfrutar de uma comunhão constante com Deus e de um relacionamento íntimo e prazeroso. Nada nesse mundo se iguala ao deleite de compartilhar a vida com Deus!

Com a vida eterna em nós, a única coisa que queremos é viver – no sentido de aplicarmos em nossa vida os ensinamentos de Cristo que aprendemos do Evangelho. Devemos espelharmos e testemunharmos Cristo, através de nossas ações e atitudes, exalando o bom perfume de Cristo por onde passarmos, a fim de que às pessoas possam ver Cristo em nós e possam se certificarem que somos pessoas vivificadas e fomos transformadas pelo poder de Deus. Isso tudo acontece porque quando Deus vivifica e regenera, Ele transmite a sua própria vida espiritual à pessoa. Essa vida espiritual transmitida faz nascer um relacionamento pessoal, intimo entre ambos, fazendo com que a pessoa regenerada deseje ardentemente a cada dia conhecer mais a Deus e a Jesus Cristo (Jo. 17.3). Ela passa a compartilhar a sua vida com Deus por intermédio de Cristo (1Jo. 1.1-4).

A vida eterna que recebemos é um dom divino e uma propriedade que tomamos posse perpetuamente. Nada nesse mundo tirará, de nós, essa graça que nos foi concedida. Jesus afirma: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo. 10.28). A Vida Eterna começa aqui e agora. Já estamos vivendo a vida eterna hoje, pois o Evangelho afirma que o Reino já chegou. Não devemos ficar de braços cruzados aguardando a volta de Cristo. Devemos viver o presente intensamente; trabalhando em prol do Reino de Deus; e desejo ardente em nosso coração pela Segunda Vinda do nosso Senhor.

Muitos ao receberem a nova vida se acomodam. Eles ainda vivem com medo de perderem a salvação. Vivem em busca de revelação e profecias, ou buscando rituais de aproximação – em vez de viver a vida em toda a sua plenitude, que lhe é permitida viver nesse mundo. Precisamos desfrutar da certeza de nossa salvação, manejando bem a palavra da verdade (2Tm. 2.15-16) e não ficar dando ouvidos as experiências de fontes duvidosas. Devemos seguir a orientação de Paulo à Timóteo, quando diz: “Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual foste chamado de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas” (1Tm. 6.12).

Em termos subjetivos, o grande testemunho da nossa salvação é o testemunho interno do Espírito Santo, que assegura em nosso íntimo que somos filhos de Deus (Rm. 8.15-17). Contudo, a Escritura também nos fala de evidências externas da nossa filiação. Uma delas é a manifestação do amor sincero dedicado aos irmãos. O cuidado, o zelo, a generosidade e o carinho que os dispensamos é uma forma de mostrarmos que cremos realmente em Cristo e que estamos unidos a Ele. Esse sentimento sublime, é uma prova dessa gloriosa dádiva permanente em nós. A vida no sentido espiritual substitui a morte do cristão. A vida espiritual de cada pessoa é medida pelo amor que é demonstrado pelos irmãos. É impossível uma pessoa ser um cristão e não praticar o amor fraterno. João é bem enfático ao dizer que os “vivos” amam e os “mortos” odeiam: “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si” (1Jo. 3.14-15).

A mensagem de João, no texto acima, é sobre o amor ao próximo. Quando Jesus esteve aqui na terra, ele nos deu um novo mandamento: que deveríamos amar uns aos outros, assim como ele nos amou (Jo. 13.34). É desse amor que João está se referindo. João expõe, em sua primeira Carta (3.23), o mandamento de Cristo: “Ora, o seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou.” Esse novo mandamento equivale as duas partes dos Dez Mandamentos, sendo que a primeira parte tem prioridade sobre a segunda. João prossegue narrando o ódio em que o mundo vive após a Queda. Ele menciona o primeiro assassinato ocorrido no mundo, motivado pelo ódio de Caim contra o seu irmão Abel, afirmando que foi devido à justiça de Abel. Enquanto estivermos nesse mundo, haverá ódio e desamor dos ímpios pelos crentes. Isso não deve causar espanto, pois eles estão mortos espiritualmente. Contudo, essa falta de amor não pode acontecer entre os cristãos, porque já passamos da morte para a vida e quem que não ama permanece na morte (3.14). João declara que quem odeia o irmão é assassino, e não tem a vida eterna permanente em si (3.15).

Removido do Livro: Teologia da Prosperidade a Luz das Escrituras .

undefined Mariza Tavares de Souza é Advogada e Mestre em Divindade (M. Div), com concentração em estudos Históricos-Teológicos pelo Centro Presbiteriano Pós-Graduação Andrew Jumper. Bacharel em Direito, Pela Universidade Federal do Pará (1984). Pós-Graduada em Direito Empresarial pela Universidade São Judas (2001). Professora da Escola Bíblica Dominical (classe adultos) da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro. Natural de Belém-PA, em 14/10/1956. Casada há 40 anos com o Professor Universitário Eloi Tavares de Souza, Mãe e Avó.

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