Ele continua a tratar homens e mulheres pecadores da mesma maneira como faz na história bíblica. Ele ainda mostra sua liberdade e senhorio ao fazer distinção entre pecadores, possibilitando alguns a ouvirem o evangelho enquanto outros não, e levando alguns dos que o ouvem ao arrependimento, enquanto deixa outros em sua descrença; e, assim, ensina aos seus santos que não deve misericórdia a ninguém e que é inteiramente por sua graça, de nenhum modo por seu próprio esforço, que eles encontraram a vida. Ele abençoa aqueles em quem põe seu amor, tornando-os humildes de um modo que toda a glória possa ser somente sua. Ele odeia os pecados de seu povo e usa todos os tipos de sofrimento interno e externo e tristezas para afastar seus corações da concupiscência e da desobediência. Ele busca a comunhão de seu povo e envia tanto tristezas quanto alegrias a fim de separar seu amor de outras coisas e vinculá-lo a ele. Ele ensina os crentes a valorizarem seus dons prometidos ao fazê-los esperar por esses dons e os compele a orar persistentemente por eles, antes de concedê-los. É isto que lemos acerca de como Deus lida com seu povo no registro das Escrituras e é assim que ele ainda o trata. Seus objetivos e princípios de ação permanecem consistentes; em nenhum momento ele é inconsistente com seu caráter. Nossos caminhos, sabemos, são pateticamente inconstantes – mas não os de Deus.
Fonte:
Packer, J. I. (2014). O Conhecimento de Deus (Guia de Estudo) (P. C. Nunes dos Santos, Trad.; 1??a edição, p. 73). Editora Cultura Cristã.
As pessoas, algumas vezes, fazem afirmações que, na realidade, não desejavam fazer, simplesmente porque não conhecem sua própria mente; além disso, como seus pontos de vista mudam, frequentemente veem que não podem mais sustentar as coisas que disseram no passado. Todos nós, em algum momento, temos de revogar nossas palavras, porque elas deixaram de expressar aquilo que pensávamos; algumas vezes, temos de engolir nossas palavras, porque fatos concretos as refutam. As palavras ditas pelos seres humanos são instáveis. Mas não é assim com as palavras de Deus. Elas permanecem para sempre, como expressões inabalavelmente válidas de sua mente e de seu pensamento. Nenhuma circunstância demanda que ele as anule; nenhuma mudança em seu próprio pensamento exige que ele as corrija. Isaías escreve: “Toda a carne é erva… seca-se a erva… mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente” (Is 40.6ss.). Semelhantemente, o salmista diz: “Para sempre, ó SENHOR, está firmada a tua palavra no céu… todos os teus mandamentos são verdade… há muito sei que as estabeleceste para sempre” (Sl 119.89,151–152). A palavra traduzida por “verdade” no último versículo leva consigo a ideia de estabilidade. Quando lemos nossas Bíblias, portanto, precisamos lembrar que Deus ainda mantém todas as promessas, exigências, declarações de propósitos e palavras de advertência que são dirigidas aos crentes do Novo Testamento. Elas não são relíquias de uma era passada, mas uma revelação da mente de Deus eternamente válida para seu povo em todas as gerações, enquanto o mundo existir. Foi assim que nosso Senhor nos disse: “A Escritura não pode falhar” (Jo 10.35). Nada pode anular a verdade eterna de Deus.
Fonte:
Packer, J. I. (2014). O Conhecimento de Deus (Guia de Estudo) (P. C. Nunes dos Santos, Trad.; 1??a edição, p. 72). Editora Cultura Cristã.
A tensão, ou choque, ou uma lobotomia podem alterar o caráter de uma pessoa, mas nada pode alterar o caráter de Deus. No curso da vida humana, os gostos, a aparência e o temperamento podem mudar radicalmente: uma pessoa gentil, equilibrada, pode se tornar amarga e estranha; uma pessoa de boa vontade pode vir a se tornar fria e insensível. Todavia, nenhuma dessas coisas acontece com o Criador. Ele nunca se torna menos verdadeiro, ou misericordioso, ou justo, ou pior do que sempre foi. O caráter de Deus é hoje e sempre será exatamente do modo que era nos tempos bíblicos. É instrutivo, neste aspecto, juntarmos duas revelações de seu “nome” no livro de Êxodo. O “nome” revelado é, naturalmente, mais do que um rótulo; é uma revelação do que ele é em relação a nós. Em Êxodo 3, lemos que Deus anunciou seu nome a Moisés como “Eu sou o que sou” (v. 14) – uma expressão da qual Javé (Jeová, “o Senhor”), é, na realidade, uma forma abreviada. Este “nome” não é uma descrição de Deus, mas simplesmente uma declaração de sua autoexistência e de sua eterna imutabilidade, uma lembrança à humanidade de que ele tem vida em si mesmo e de que aquilo que ele é agora, ele será eternamente. Em Êxodo 34, porém, lemos como Deus “proclamou o nome do Senhor” a Moisés ao alistar as várias facetas de seu santo caráter. “SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos” (v. 6–7). Essa proclamação complementa aquela de Êxodo 3 ao nos dizer o que, de fato, é Jeová; e aquela de Êxodo 3 complementa esta ao nos dizer que Deus é eternamente aquilo que, naquele momento, três mil anos atrás, ele disse a Moisés que era. O caráter moral de Deus é imutável. Deste modo, Tiago, em uma passagem que trata da bondade e da santidade de Deus e de sua generosidade para com os homens e de sua hostilidade ao pecado, fala de Deus como aquele “em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17).
Fonte:
Packer, J. I. (2014). O Conhecimento de Deus (Guia de Estudo) (P. C. Nunes dos Santos, Trad.; 1??a edição, p. 71–72). Editora Cultura Cristã.
Ele é “desde a eternidade” (Sl 93.2), “o Rei eterno” (Jr 10.10), “o Deus incorruptível” (Rm 1.23), “o único que possui imortalidade” (1Tm 6.16). “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Sl 90.2). Terra e céus, diz o salmista, “perecerão, mas tu permaneces; todos eles envelhecerão como uma veste, como roupa os mudarás, e serão mudados. Tu, porém, és sempre o mesmo, e os teus anos jamais terão fim” (Sl 102.26s.). “Sou o primeiro e também o último” (Is 48.12). As coisas criadas têm um começo e um fim, mas não é assim com seu Criador. A resposta para a pergunta de uma criança: “Quem fez Deus?”, é simplesmente que Deus não precisou ser feito, pois sempre existiu. Ele existe para sempre e é sempre o mesmo. Ele não fica mais velho. Sua vida não aumenta nem diminui. Ele não ganha novos poderes, nem perde aqueles que ele já teve. Ele não amadurece ou se desenvolve. Ele não fica mais forte, ou mais fraco, ou mais sábio à medida que o tempo passa. “Ele não pode mudar para melhor”, escreveu A. W. Pink, “pois ele já é perfeito; e sendo perfeito, ele não pode mudar para pior”. A primeira e fundamental diferença entre o Criador e suas criaturas é que elas são mutáveis e sua natureza admite mudança, enquanto Deus é imutável e nunca pode deixar de ser o que ele é. Como afirma o hino,
Desabrochamos e florescemos como folhas na árvore, E murchamos e perecemos – mas nada muda a Ti.
Assim é o poder da “vida indissolúvel” (Hb 7.16) de Deus.
Fonte:
Packer, J. I. (2014). O Conhecimento de Deus (Guia de Estudo) (P. C. Nunes dos Santos, Trad.; 1a edição, p. 70–71). Editora Cultura Cristã.
Meu pai era piloto da Polícia Montada Real do Canadá e, quando menino, eu tinha muito orgulho dele. Em seu trabalho, ele voou com algumas pessoas famosas (e infames). Provavelmente o mais famoso de todos foi o primeiro-ministro do Canadá. Isso aconteceu por volta de 1980. O primeiro-ministro Pierre Elliot Trudeau tirou férias em turnê pelo Ártico. Estávamos morando em Inuvik, NWT. Meu pai foi encarregado de levar o primeiro-ministro Trudeau de Yellowknife para vários outros pontos do Ártico. Achei isso bem legal.
Alguns anos depois, eu estava tentando impressionar alguns amigos em minha nova escola em Alberta. Eu disse a eles que meu pai tinha voado com o primeiro-ministro Trudeau. Eu realmente não prestei muita atenção à política naquela época. Recém-chegado na cidade, não fazia ideia de que o PM era extremamente impopular em Alberta. Então, fiquei surpreso quando meus amigos responderam: “Bem, por que seu pai não fez um favor a todos nós e o expulsou do avião enquanto ele estava voando?”
Talvez você possa perdoar esses tipos de sentimentos vindos de aspirantes a caipiras de 9 anos. À medida que envelhecia, desenvolvi um nível semelhante de animosidade em relação ao primeiro-ministro, especialmente por sua amizade com Fidel Castro, sua introdução do bilinguismo oficial e o Programa Nacional de Energia. Hoje o Canadá tem Justin Trudeau (filho de Pierre) como primeiro-ministro. A hostilidade em relação a ele entre alguns é igual, se não maior, à que existia em relação a seu pai. Mas também aqui na Austrália, há muito ressentimento, raiva e até ódio contra o governo, especialmente no nível estadual.
É lamentável que essas atitudes estejam criando raízes entre os cristãos reformados. Essas atitudes não são bíblicas e não têm lugar na vida dos discípulos de Jesus. A frustração é compreensível, mas o desrespeito não é justificável. Nos últimos dois anos, tenho visto expressões de desrespeito que vão desde xingamentos a pedidos de derrubada revolucionária do governo. Há um espírito rebelde e revolucionário na sociedade e temo que muitos cristãos reformados tenham sido vítimas dele.
É bom voltar à nossa história e aprender como os crentes reformados no passado viveram sob governos frustrantes e até perigosos. Tomemos como exemplo Guido de Brès, autor da Confissão Belga. Ele viveu sob a tirania do rei Filipe II da Espanha. O rei Filipe viu como seu chamado promover a fé católica romana erradicando o protestantismo. As áreas sob seu domínio, especialmente no que hoje chamamos de Holanda e Bélgica, tiveram os maiores números de martírios no século XVI. Como um influente pastor reformado, Guido de Brès estava em sua “lista dos mais procurados” e eles eventualmente o prenderam e o enforcaram.
Guido de Brès escreveu mais do que apenas a Confissão Belga. Ele escreveu dois livros importantes, um contra os católicos romanos e outro contra os anabatistas. Este último foi intitulado La racine, source et fondement des Anabaptistes (A Raiz, Fonte e Fundação dos Anabatistas). Infelizmente, apenas uma pequena parte foi traduzida para o inglês e foi publicada em 1668. Neste livro, de Brès assume os erros de vários anabatistas em seis áreas. Uma dessas áreas tinha a ver com o governo.
O capítulo sobre o Magistrado trata especificamente de um ensinamento problemático de Menno Simons (o fundador dos menonitas): sua rejeição da pena capital. Simons argumentou que se um criminoso se arrependesse e se voltasse para o Senhor antes de sua execução, como outro cristão poderia matá-lo? Como isso refletiria o exemplo compassivo de Cristo, “o manso Cordeiro”? E se um criminoso impenitente tivesse sua vida terminada pela pena capital, seu arrependimento e fé seriam assim impedidos. Este capítulo em La racine é principalmente uma polêmica contra essa posição, argumentando que os governos de fato têm o direito e a responsabilidade de usar a espada para defender a justiça, independentemente do arrependimento do criminoso.
Por mais interessante que isso seja, eu olhei para este capítulo em termos do que de Brès escreve sobre a atitude cristã adequada em relação ao governo. Achei esta seção particularmente interessante:
Agora devemos observar diligentemente que São Paulo chama o Magistrado de “servo de Deus” e “ordenado por Deus” sete vezes. Pois o Espírito Santo quis falar assim, porque sabia que viriam contraditórios em tempos posteriores, que por seu orgulho queriam abolir e aniquilar inteiramente as autoridades que Deus havia estabelecido para o bem dos homens. E quando ele diz que os Magistrados são ordenados por Deus, é porque eles já foram ordenados por Deus através de sua palavra na igreja dos Patriarcas e Israelitas. Assim, somos levados a entender claramente que esta ordenança que Deus fez anteriormente sobre o Magistrado sobre seu povo se mantém hoje na Igreja de Cristo. Estou falando sobre o governo político neste lugar.
Escrevendo a Tito, ele também o ordena dizendo: “Admoeste-os que se sujeitem aos principados e potestades, que obedeçam aos governadores, que estejam sempre prontos para toda boa obra, que não falem mal de ninguém” (Tit. 3:1-2). São Pedro também ensina o mesmo, dizendo: “Sujeitem-se a toda ordem humana por amor de Deus, ao Rei como superior, aos Governadores como os enviados por ele para castigar os malfeitores e louvar os bons; pois esta é a vontade de Deus” (1 Pe 2:13-15). No mesmo lugar: “Dê honra a todos, ame a fraternidade, tema a Deus, honre o Rei” (1 Pe 2:17). Todas essas sentenças apostólicas devem ser cuidadosamente consideradas, pois por elas vemos que os apóstolos reconhecem a autoridade e o poder primários dos magistrados. Nestes foram constituídos por Deus para ter poder para matar os malfeitores que lhes resistem. Por isso, Paulo diz aqui aos da Igreja: “Se você fizer algo errado, tenha medo. Pois o príncipe não carrega a espada em vão. Ele é o servo de Deus para trazer justiça e ira aos que praticam o mal” (Rm 13:4). Por “espada” o Apóstolo entende o poder da espada para tirar o sangue daqueles que o merecem.
Ao contrário de alguns dos anabatistas que eram revolucionários e sediciosos, de Brès defendia uma visão positiva do governo civil. Essa visão não era exclusiva de de Brès, mas simplesmente ecoava o ensino reformado padrão tanto na Holanda quanto em outros lugares.
Há algumas coisas a serem observadas em relação a essa citação de La racine .
Em primeiro lugar, observe como isso está bem fundamentado nas Escrituras. Isso é típico de de Brès em La racine e em seus outros escritos, incluindo a Confissão Belga.
Em segundo lugar, o que ele escreve aqui é consistente com o que apareceu anteriormente no artigo 36 da Confissão. La racine foi publicado em 1565; a Confissão Belga em 1561. Não houve mudança na abordagem positiva de de Brès aos magistrados civis. De Brès em 1565 ainda teria concordado com sua Confissão de 1561: “Além disso, todos – não importa de que qualidade, condição ou classificação – devem estar sujeitos aos oficiais civis, pagar impostos, mantê-los em honra e respeito, e obedecê-los em todas as coisas que não estão em desacordo com a Palavra de Deus.”
A imutabilidade de sua posição está ligada à terceira consideração: entre 1561 e 1565, as coisas não melhoraram sob o rei Filipe II. Na verdade, eles se tornaram muito piores . Durante este período de tempo, de Brès estava vivendo em exílio auto-imposto na França; era muito perigoso para ele em sua terra natal, os Países Baixos. A tirania do rei Filipe II e seus subalternos só ficaram mais fortes e sua perseguição mais intensa. Mas, neste escrito final de de Brès sobre o governo civil, ele mantém a mesma atitude positiva de honra e respeito que fez na Confissão Belga. Um ano depois seria martirizado.
De Brès viveu e morreu sob verdadeira tirania. O que estamos vivenciando hoje não chega nem perto e sugerir que sim revela uma falta de consciência histórica. Mesmo que estejamos convencidos de que vivemos sob um governo tirânico, devemos tomar nota de La racine de de Brès e sua Confissão Belga. Ser revolucionário e antigovernamental não tem nada a ver com a Bíblia. Se você quer ser reformado (o que quer dizer ‘bíblico’), então seja anti-revolucionário. Seja contracultural – respeite seu governo e ore por eles, assim como as Escrituras nos ensinam a fazer.
Wes Bredenhof nasceu em Taber, Alberta, Canadá. Graduou-se com um grau de Bacharel em Artes pela Universidade de Alberta em Edmonton. Ele recebeu o grau de Mestre em Divindade do Seminário Teológico Reformado Canadense em Hamilton, Ontário. Ele também recebeu o Diploma de Missiologia da CRTS. Leia mais.
O “Estado”, é uma nação sob o comando de um governo instituído. Sendo assim, o “Estado” é laico quando o poder político estabelecido não se opõe e nem apoia nenhuma religião. Estado e religião não se misturam, isto é, as decisões governamentais não dependem de interesses religiosos.
No Brasil o Estado é laico desde 1890. É um Estado, por assim dizer, tolerante, e, portanto, contra qualquer tipo de intolerância religiosa.
O Cristianismo bíblico é uma religião que busca tirar adeptos de outras religiões através da persuasão. É da natureza do Cristianismo esse ato proselitista. Essa característica inerente ao Cristianismo, dá-se mais ou menos agressivamente; com maior ou menor insistência. Seja como for, não deve jamais revestir-se de atos de intolerância.
João Batista, preparando o caminho do Senhor (Is.40:3), pregava no deserto o arrependimento (Mt.3:1-2).
Quando Jesus Cristo ouviu que João Batista estava preso, começou também a pregar o arrependimento (Mt.4:17).
Depois de ressurreto, pouco antes de subir aos céus, Jesus abriu o entendimento dos discípulos para compreenderem as Escrituras quanto ao escopo de Seu ministério. Disse a eles que o resumo era que “em seu nome se pregasse o Evangelho de arrependimento para remissão de pecados” (Lc.24:47).
A pregação de arrependimento exige a denúncia de pecado, para que o pecador saiba do que tem que se arrepender. É uma obviedade.
Dias depois, Pedro, que agora entendia as Escrituras, obedeceu a ordem do Senhor Jesus e fez a pregação legítima do Evangelho, denunciando o pecado. Ao ouvirem, os pecadores, possuídos de convicção de pecado, com aquela necessária “tristeza segundo Deus” (II Co.7:10), foram orientados por Pedro: “Arrependam-se” (Atos 2:14-37).
Não existe nas páginas do Novo Testamento um registro sequer de que os apóstolos tenham feito pregação do Evangelho seguida de um “apelo”, nem jamais encontramos o famoso convite: “aceite a Jesus”.
Quando Jesus Cristo afirma que Ele é “o caminho, a verdade e a vida”, e que ninguém irá ao Pai a não ser através dEle (Jo.14:6), está dizendo que todas as outras religiões estão erradas, e que seus seguidores irão para perdição eterna. Essa verdade, para alguns, soa como intolerância religiosa. Como os seguidores de Jesus Cristo (cristãos) são proselitistas em cumprimento de uma ordem dada por seu Mestre (Mc 16:15), e ai deles se não cumprirem essa obrigação (I Co.9:16), a perseguição e o sofrimento são presumidos (II Tim.2:24-25 c/c II Tim.4:5).
Todo cristão legítimo (bíblico) sabe que a soberania divina quis que o meio de graça para a salvação fosse a pregação do Evangelho (I Co.1:21 c)c Rm.10:14). Há, entretanto, dois entendimentos distintos que intensificam ou amenizam as denúncias de Intolerância religiosa praticada por cristãos.
O primeiro grupo, entende que a pregação do Evangelho deve ser feita, denunciando o pecado, dizendo que Jesus é o único caminho. Os pecadores, que nessa ótica, já são dantemão “ovelhas do Senhor” (Jo.10:27), darão ouvidos à pregação porque são trazidas pelo próprio Deus a Jesus (Jo.6:44), e é só por elas que Jesus deu a Sua vida (Jo.10:15). Como já estavam preordenadas (escolhidas) para a vida eterna (Atos 13:48), entenderão a mensagem porque já são de Deus (Jo.8:47), enquanto que aqueles que não deram ouvidos, não o fizeram porque nunca foram de Deus de Deus (Jo.8:43).
Nessa perspectiva, não há “apelo”, a adesão (conversão) segue um curso natural, e as tensões são reduzidas quanto às denúncias de Intolerância religiosa.
O segundo grupo, entende que a pregação do Evangelho deve ser feita, sem que necessariamente o pregador precise denunciar o pecado, mas que faça o convite para o pecador “aceite a Jesus como seu Salvador” (Rm.10:13 c/c Mt.11:28). Aqui não existem pecadores preordenados para a vida eterna. As adesões (conversões) são assentimentos ao nome de Jesus, e devem ser buscadas por meio de pregações que atraiam o maior número de adeptos, sendo válidos todos os meios tidos como legítimos, sempre com o solene apelo no final. A movimentação é intensificada, e os esforços são dirigidos a reunir nos espaços religiosos (igrejas) o maior número possível de pessoas. As preocupações humanistas se sobrepõem às de natureza transcendental, e nessa perspectiva, as incompreensões quanto à Intolerância religiosa ficam mais explícitas, intensificando as denúncias.
Há, portanto, dois tipos de pregação do Evangelho no assim chamado protestantismo cristão. Ambas produzirão algum grau de sofrimento e perseguições.
Contudo, uma está focada simplesmente no anúncio do Evangelho, e a outra na conquista de pessoas.
Na simples semeadura do Evangelho, considerando a priori que só as ovelhas ouvirão, há uma constatação implícita do chamado Estado laico, sendo, portanto, pacífica as relações com os diferentes.
Na busca por pessoas que aceitem a Jesus, o Estado laico não é pressuposto, porque grande esforço é feito para o convencimento dos diferentes, para que, ao ouvirem os apelos, passem a ser ovelhas do Senhor.
A conclusão é que ambos os grupos operam dentro do Cristianismo a partir da formação que receberam. Há, de ambos os lados, uma certa acomodação acrítica dos pressupostos internalizados. Quando fazemos o exercício salutar de nos posicionarmos do lado de fora, olhando para os dois grupos à luz da revelação escrita, é possível concluirmos qual está conectado com as verdades eternas.
UM POEMA ÉPICO MODERNO EM QUATRO CANTOS. John Trumbull fala sobre o costume dos irmãos usarem armas pra se defender.
Então, uma vez, por temer ataques indígenas, nossos antepassados levavam suas armas ao se reunirem, cada homem equipado no domingo de manhã com o livro de Salmos, munição e pólvora. E considerado em forma, como todos devem admitir, como a antiga e verdadeira Igreja militante
John Trumbull
O direito à ampla defesa da vida, bem como da propriedade, independem da tutela do Estado, são intrínsecos à natureza humana.
Do ponto de vista daquele que sofre a ameaça à sua vida, ou ataques à sua propriedade, pouco importa se esses agravos procedem do Estado, de entidades da sociedade, de marginais ou de políticos. O tempo e o espaço tampouco interferem nessa característica fundamental da existência humana.
CALVINISTAS NA NOVA INGLATERRA (EUA)
Em todos os municípios de Massachussets, no ano de 1640, havia o costume dos crentes puritanos irem ao culto levando armas de fogo, pólvora, munição e espadas. Um homem armado para cada família era considerado o suficiente.
Depois, em 1642, consideravam que em cada igreja seis homens armados com mosquetes, pólvora e munição, seriam suficientes para garantir a proteção dos crentes. Até pelo menos os anos 1950, todo mundo usava chapéu. Homens, mulheres, ricos e pobres. Nas igrejas havia sempre na entrada do salão de cultos um porta-chapéu. Era necessário. No caso das armas de fogo de nossos irmãos calvinistas, à distância, a cena nos parece pitoresca.
Puritanos Armados
Em New Hampshire, na cidade de Conrad, todos os homens iam armados para o culto portando armas de fogo. Havia uma coluna no centro do salão de cultos usada para que os irmãos colocassem seus mosquetes para pronto uso, se necessário.
O pastor, bem treinado, era sempre um exímio atirador e possuía a melhor arma que ficava bem ao lado do púlpito, pronta para ser usada. Qualquer movimento estranho de alguém suspeito, o pastor estava pronto para mandar fogo, e, caso fosse necessário, comandar a congregação numa eventual batalha.
Esse quadro que eventualmente alguns podem achar dantesco, decorria do ambiente de violência a que os irmãos estavam expostos. Não parecia àqueles irmãos razoável aguardar que o Estado lhes socorresse a tempo, colocando-se sob ameaça à integridade física, bem como a ataques ao seu patrimônio, sem uma reação enérgica correspondente.
O espírito moderno de resiliência incrustado na mente ocidental por doutrinação ideológica de esquerda, favorecido e instrumentalizado pela grande mídia, não combina com o pensamento daqueles irmãos calvinistas que julgavam que isso significaria manifestação de covardia.
CALVINISTAS NA INGLATERRA
O uso de armas de fogo para auto defesa no seio do puritanismo (calvinismo) inglês, pode melhor ser entendido quando olhamos um pouco da história. As terras da Igreja Católica Romana foram convertidas em propriedades privadas pelo rei Henrique VIII, por razões bem conhecidas.
Isso simbolizava uma ruptura com o catolicismo romano. A principal beneficiária desse ato foi a burguesia. Henrique VIII era da dinastia Tudor. Finda esta dinastia, assumiu o poder na Inglaterra a dinastia Stuart, que permaneceu de 1603 a 1625.
O rei Jaime I, da dinastia Stuart, favoreceu vá nobreza em detrimento dos interesses da burguesia. Era de visão absolutista. Jaime I perseguiu os puritanos (calvinistas), que eram da religião predominante. Dissolveu o Parlamento entre 1614 e 1622. Morreu em 1625, assumindo o trono em seu lugar Carlos I (1600-1649), seu filho.
Tão cruel quanto seu pai, Carlos I continuou a perseguir os puritanos. Nesse contexto onde a diplomacia não conseguia surtir efeitos positivos, a pólvora se fez presente.
Revolução Puritana
Levantou-se o líder puritano Oliver Cromwell (1599-1658). Organizou um exército burguês para defender o Parlamento contra Carlos I. Houve uma guerra, dando inicio a que ficou conhecida como “Revolução Puritana”. O direito à vida e à propriedade têm a ver com liberdade, e isso era muito caro àqueles irmãos e precisava ser defendido com firmeza até às últimas consequências.
Essa revolução era de cunho religioso, mas também visava pôr fim à perseguição. As tropas de Cromwell conseguiram derrotar as de Carlos I. Prenderam e decapitaram o rei Carlos I em 30 de janeiro de 1649. Oliver Cromwell deu então a famosa instrução:
Confie em Deus, e mantenham a pólvora seca.
Cromwell assume o comando da Inglaterra pondo fim à dinastia Stuart. Em maio de 1649 proclama a República. Foi de curta duração. Logo o Parlamento se revoltou contra Cromwell, o que o forçou a dissolvê-lo, matando as principais lideranças do exército burguês.
Foi instituída assim uma ditadura. Depois de curto período, Cromwell restaurou o Parlamento em 1657. No ano seguinte (1658), faleceu. Assumiu o seu lugar seu filho Richard Cromwell (1626-1712). Sem força política, os radicais burgueses convocaram Carlos II (1630-1685), filho do rei Carlos I (1600-1649) que havia sido decapitado em 1649.
Foi então restaurada a dinastia Stuart. Com isso, os puritanos voltaram a ser perseguidos. Coroado em 1660, Carlos II, logo mostrou suas intenções absolutistas, e, pior que isso, sua face católica romana quando aproximou-se do rei Luis XIV, da França, que perseguia calvinistas.
Como o Parlamento reagiu à aproximação ao catolicismo romano, Carlos II dissolveu o Parlamento em 1681, e passou a governar a Inglaterra sozinho até 1685. Morreu naquele ano (1685), assumindo o trono o seu irmão Jaime II (1633-1701). Manteve a aproximação com a Igreja Católica, mas restaurou o Parlamento.
O Parlamento era de maioria puritana (calvinista), e, portanto, reagia à aproximação do rei com o rei da França. Porém, um confronto não parecia ser prudente naquele momento.
Como a filha de Jaime II (Maria II – 1622/1694) era casada com Guilherme de Orange (1650-1702), rei dos Países Baixos, os parlamentares usaram uma estratégia: convidaram Maria II para assumir o trono da Inglaterra. Seu marido (Guilherme de Orange) ficou com medo de que sua mulher ficasse mais poderosa que ele. Então, em 1688, decidiu invadir a Inglaterra e destituir o rei Jaime II do trono com o apoio do Parlamento.
Destituído, o rei Jaime II (1633-1701) fugiu para a França, onde permaneceu até sua morte. Guilherme de Orange foi então coroado rei da Inglaterra com o nome de Guilherme III. Só que, antes de ser coroado, os parlamentares fizeram uma exigência: que ele e sua mulher, Maria II, assinassem a famosa “BILL OF RIGHTS” (Declaração de Direitos) em 1689.
BILL OF RIGHTS (Declaração de Direitos-1689)
Com esse documento estava sendo criada a monarquia constitucional que vige até os dias de hoje, reduzindo o poder do rei, e garantindo a liberdade religiosa, ficando registrado de maneira bem clara o DIREITO DOS PURITANOS (protestantes) DE DEFENDEREM SUAS VIDAS E PROPRIEDADES COM ARMAS DE FOGO:
Art.7 – Que os súditos protestantes podem ter, para a sua defesa, armas necessárias à sua condição e permitidas por lei.
Quando vemos os calvinistas aqui relatados usando armas para defender suas vidas e propriedades, é preciso que reconheçamos que eram crentes fiéis, exímios exegetas bíblicos, que de maneira acertada, olharam para a Escritura Sagrada e não viram ali qualquer incompatibilidade com esta forma de agir, bem como o menor vislumbre de instrução para a formação de uma comunidade composta por covardes.
Armas nos Cultos
ARTIGO DE:
Presbítero Ivo Matias Damas Professor de Filosofia da Religião no “Centro de Formação Teológica – CEFORTE”. Guarulhos/SP.
FONTES DE PESQUISA
“The Sabbath In Puritan New England”. Alice Morse Earle – Ed.Pinnacle Press, 2017.
“Direitos Humanos: Uma Antologia – Declaração Inglesa de Direitos, 1689”. Micheline R. Ishay – Ed. Edusp/SP, 2006, p.171 a 173 .
“O Século das Revoluções, 1603-1714”. Christopher Hill – Ed. UNESP/SP, 2012.
“Revoluções Inglesas: A Revolução Gloriosa e o fim do absolutismo na Inglaterra”
– História da Civilização Ocidental. Lizânias de Souza Lima e Antônio Pedro – Ed. FTD/SP, 2005, pp.237-239 .
Lou Engle beijando os pés de um Padre Católico Romano
Evan Roberts (1878-1951) identifica a ignorância da doutrina da Trindade como causadora do entendimento pneumatológico distorcido. (1) (Confira as citações no final da página)
Desde esses primórdios muitos abdicaram da necessidade de uma investigação ampla da revelação escrita, reduzindo a vida cristã a um empirismo irrefletido, possibilitando o aparecimento de uma mentalidade com potencial latente de reaproximação com católicos romanos. A porta estava aberta desde então a este tipo de ecumenismo. Daí surge a “Renovação Carismática Católica Romana (RCC), cujo estilo litúrgico, pneumatologia e compartilhamento musical, são não mais que consequências.
Há pouca literatura sobre esse desvio de rota. Entretanto, o pentecostalismo se multifacetou desde sua chegada ao Brasil em 1910, não sendo acertado considerá-lo um grupo homogêneo. Por isso, é necessária uma abordagem histórica cuidadosa que o redefina, a fim de evitarmos considerá-lo um bloco unido na ótica ecumênica com católicos romanos.
Em razão disso, nesse breve ensaio, vou chamar os pentecostais, alvos dessa reflexão, de “CARISMÁTICOS“, para diferenciá-los dos pentecostais que não fazem parte dos desvios verificados.
O ANTISSEMITISMO
Como é sabido, foi em 1879 que esse termo nasceu. Foi o jornalista alemão WILHLM MARR (1819-1904) que chamou o ódio aos judeus, e a aversão política àquele povo, cunhando a palavra “antissemitismo”. (2)
Esse entimento de repulsa ao povo judeu, é anterior ao nazismo na Europa. JEFFREY HERF afirma que o nascimento desse sentimento de demonização dos judeus, nasceu na idade média, onde o clero romano fortaleceu a ideia de DEICÍDIO (matar Deus). (3)
Quando TOMÁS DE AQUINO (1225-1274) em sua “magnu opus” (Summa Theologiae) no século XIII deixou registrada a idéia de que na cruz os judeus mataram tanto o Jesus homem quanto o Jesus Deus (4), apenas solidificou o que sempre esteve no coração do clero romano. Espalhada essa idéia, seguiu-se a inevitável aversão aos judeus no meio do povo, perpetuada ao longo do tempo.
Apesar do Papa Paulo VI no Concílio Vaticano II (1965) subscrever a “Nostra Aetate” (em nossa época – 28.10.1965), suprimindo as acusações da igreja contra os judeus e do estabelecimento de relações diplomáticas desde 1994, a verdade é que o Papa João Paulo II, no dia 15.02.2000, firmou acordo com o líder palestino YASSER ARAFAT (1929-2004), contra os interesses dos judeus sobre Jerusalém. Vê-se que há um espírito antissemita que subjaz incrustado na alma da Santa Sé desde sempre.
Entre os chamadaos “evangélicos”, durante mais de quatro séculos (1517-1948), não havia entre os então denominados “protestantes”, o menor vislumbre de manifestação que pudesse ser considerada antissemita.
O ANTISSEMITISMO ENTRE OS CARISMÁTICOS
Em 1948 nasce em Amsterdam (Holanda), o “Conselho Mundial de Igrejas – CMI”. Uma organização ecumênica com pauta anti-conservadora, e com objetivos divergentes da teologia ortodoxa protestante, tendo como um dos focos principais a luta contra os interesses de Israel.
Em 1961 as primeiras igrejas carismáticas aderiram ao CMI. Entre as igrejas históricas, participa como membro do “CMI” desde seu inicio, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil- IECLB. É importante ressaltar, uma vez mais, que muitas igrejas pentecostais no Brasil, sempre foram relutantes a uma aproximação ecumênica com a igreja católica romana.
Entretanto, estrategistas externos, com seus interesses inconfessáveis, sempre estiveram arquitetando um plano para uma união sonhada. Interesses econômicos e políticos aqui não podem ser ignorados…
Kenneth Copeland, amigo do Papa Francisco, afirmou na Conferência Ecumênica “KAIRÓS2017” que o “protesto acabou” (5), e que… “o que Martinho Lutero fez ao causar uma separação da Igreja Católica, foi demoníaco”. (6)
líderes CARISMÁTICOS com o Papa
A chamada “Conferência KAIRÓS”, sediada nos EUA, é uma reunião ecumênica que se dá todos os anos, com o objetivo de espalhar, principalmente, a visão de tornar a reunir católicos e protestantes.
Kenneth Copeland e Lou Engle juntos
Como o objetivo dessas lideranças é, principalmente, de fundo econômico-financeiro, o alvo é prioritariamente cooptar os carismáticos latino-americanos que constituem um enorme mercado consumidor (II Pedro 2.3). É na América Latina que se concentra a maior parte dos consumidores carismáticos. Não têm preocupação alguma com a defesa de uma fé (Jd.3), ou com ação apologética, porque isso seria prejudicial do ponto de vista mercadológico. Justifica-se assim um tipo de “universalismo” oferecido para 2033. A absoluta despreocupação com qualquer posicionamento doutrinário, que culmina com o universalismo, justifica-se sendo o objetivo final o comércio.
PENTECOSTES E NÃO REFORMA
É notório o descolamento dos carismáticos da autoridade única das Escrituras. Uma vez isso identificado, seria natural um clamor por uma “reforma” que trouxesse novamente a igreja para a centralidade das Escrituras. Essa “reforma” seria uma volta aos princípios defendidos pelos reformadores do século XVI (Sola Scriptura). Do ponto de vista de “negócio” (II Pedro 2.3), isso seria desastroso. Na perspectiva mercadológica, é preciso inculcar na mente dos carismáticos latino-americanos UM NOVO PENTECOSTES. Detectado esse ponto sensível na ambição do crente carismático, o plano foi traçado. É criada “uma revolução silenciosa”, uma “rede de empreendedores carismáticos independentes – INC”, conforme atestam Brad Christerson e Richard Flory. (7)
A estratégia é reunir os carismáticos, especialmente jovens e adolescentes.
O CARISMÁTICO CONSUMIDOR
Como o consumo é um elemento de construção, manutenção e modificação da identidade, os eventos religiosos quando manipulados de forma adequada, ganham o respeito e a reverência de pessoas influenciáveis. Os indivíduos então passam a construir sua identidade a partir desses eventos, formando hábitos que lhe são sugeridos.
A abordagem dá-se, em um primeiro momento, com atrações musicais. Uma vez cooptados, fica fácil a venda, principalmente de livros aos milhões.
O modelo escolhido é o de grandes encontros. As reuniões em templos dividiria o público alvo. O ideal então, seria reuní-los em “bando (8) para que a mensagem consumista atija seu objetivo com maior alcance. Essas massas de jovens e adolescentes mesmerizadas, encantadas com a santificação dos modelos de shows encontrados nos concertos de “rock”, terceirizam suas escolhas. Mas, como reunir esse público em “bando”? Uma profecia (aglomeração em estádios) determinando isso viria a calhar. O carismático DERECK PRINCE (1915-2003) encarregou-se de produzir essa sonhada base. Fez a profecia, publicada em um livro prefaciado por ninguém menos que LOU ENGLE – “The Send”. (9)
Lou Engle (The Send) com Bill Johnson e Benny Hinn
Escolados neste tema (comportamento de manada), os estrategistas de aproveitam daquilo que NIETZCHE (1844-1900) chamou de “instinto de rebanho”. São aqueles comportamentos que decorrem de sugestões oferecidas em grandes aglomerações
WILFRED TROTTER (1872-1939) foi quem cunhou a expressão “comportamento de manada”, que pode ser verificado nesses encontros religiosos de grande massa. Nesses encontros, é marca da identidade forjada, a irreflexão. As atitudes a partir deles são irracionais. Os experts investem nessa irracionalidade.
O NOVO PENTECOSTES
Mas, por quanto tempo duraria a mensagem inculcada nos carismáticos? Era preciso assegurar uma fidelização sustentável ao longo do tempo. Criaram então uma promessa de “empoderamento” no horizonte distante. Encontros e eventos presenciais ou virtuais, garantiriam a chama acesa. Enquanto isso, milhões de dólares serão movimentados em torno do tema.
Marcaram a data para o “SEGUNDO PENTECOSTES”. Será no ano de 2033 (10). Montanhas de livros serão vendidos até lá, shows e quinquilharias gospel comporão o mercado.
Para dar sustentação à ideia do SEGUNDO PENTECOSTES, criaram o denominado “EMPOWERED21”. Trata-se de um movimento ecumênico global, com promessas de controle da agenda do Espírito Santo, que culminará como uma espécie de “universalismo ex-post-facto”, antes da volta de Cristo.
Essas movimentações são protagonizadas pelos mesmos líderes carismáticos vinculados à “NAR” (New Apostolic Reformation), que fomam a rede de empreendedores carismátcos independentes, com seus eventos particulares espalhados pelo mundo. O esquema do time está montado. Uma máquina de fazer dinheiro azeitada pela desatenção de muitos, e pelo afastamento intencional da revelação escrita.
Apóstolos da “NAR” ligados ao Papa
Preside o “EMPOWERED21” o Dr. William M. Wilson (Billy Wilson). É curioso como a história se repete. Aos 85 anos de idade (1788), o Rev.John Wesley ficou indignado com dois líderes que havia indicado para conduzir o movimento metodista nos EUA. Em 20.09.1788, escreveu uma carta, em tom grave (11), onde desaprovava com veemência a conduta de FRANCIS ASBURY (1745-1816) e THOMAS COKE (1747-1814) por terem fundado uma faculdade com seus nomes: “Cokesbury College”.
Willian M. Wilson (BILLY WILSON) com o Papa no Vaticano
Essa atitude reprovada por Wesley, foi copiada quase dois séculos mais tarde pelo pastor metodista-carismático, teleevangelista GRANVILLE ORAL ROBERTS, mais conhecido por ORAL ROBERTS (1918-2009). Oral Roberts fundou em 1962, a UNIVERSIDADE ORAL ROBERTS-ORU, com dinheiro arrecadado pela televisão de ovelhas humildes, como aliás não é novidade. Montou um império. Hoje aquela instituição de ensino tem mais de três mil alunos. Entre os alunos famos que lá estudaram, estão KENNETH COPELAND e JOEL OSTEEN. Preside aquela instituição de ensino (ORU), o Dr. William M. Wilson (12), o mesmo que preside o movimento “Empowered21”. Aliás… Billy Wilson também preside a “Pentecostal World Fellowship”, fundada em 1947, que é filiada ao ecumênico “Conselho Mundial de Igrejas-CMI”. (13)
Como podemos observar, trata-se de um time só de líderes carismáticos. Entre eles podemos citar, apenas como exemplo, os nomes de:
DOUG BEACHAM (IPHC- International Pentecostal Holiness Church) (14)
MIKE BICKLE (Casa Internacional de Oração – IHOPKC)
ANDY BYRD (JOCUM)
DANIEL KOLENDA (CfaN)
BRIAN BRENNT (Circuit Riders Movement)
FAMÍLIA VALADÃO (17)
Douglas Beacham em defesa do EcumenismoLoren Cunningham (JOCUM) e esposa com o Papa
AMEAÇA Á SOBERANIA DO BRASIL
Quando o “Conselho Mundial de Igrejas-CMI” irmanado à “Santa Sé”, e apoiado pelos carismáticos, atentam contra a soberania do Estado de Israel, não param por aí. Também mostram suas garras contra a soberania do Brasil.
Há um movimento operando, não tão silenciosamente, com vistas à internacionalização da Amazônia. Essa ação maléfica está sendo levada a efeito por ONGs internacionais e por algumas “entidades brasileiras”, parte delas ligadas à Igreja Católica Romana. Essas informações estão no relatório elaborado pelo “Grupo de Trabalho da Amazônia-GTAM”, que é um colegiado composto por integrantes da “Agência Brasileira de Inteligência-ABIN”, e de órgãos de inteligência das Forças Armadas e da Polícia Federal. (18)
Quando o Papa Francisco se apresenta como uma liderança global, porta-voz da causa ecológica, na verdade não está preocupado com a biodiversidade da região amazônica, mas com o resultado econômico e político que ela certamente lhe trará. (19)
Atende a interesses incofessáveis, e, para ter sucesso, investe insistentemente na idéia de tornar os cristãos “UM POVO SÓ” (ecumenismo).
Como esse projeto encontra forte resistência dos protestantes históricos, porque esses examinam mais cuidadosamente as Escrituras, o Papa escolheu os carismáticos como parceiros que possam auxiliá-lo no plano da Santa Sé.Convidou para irem à Roma nada menos que 300 líderes pentecostais para as comemorações do 50 Aniversário da RCC (Renovação Católica Carismática). (20)
Enquanto os líderes carismáticos objetivam o aumentos de “consumidores” de seus produtos (livros, discos, eventos, etc.), a Santa Sé tem objetivos mais ambiciosos. Elegeu a Amazônia com foco principal de sua atenção, sob a argumentação de que está preocupada com a “Ecologia Integral”, que o Pontífice chama de “NOSSA CASA COMUM” (21). A estratégia do que chama “Caminho rumo ao encontro” (22), foi cooptar os carismáticos.
Vários eventos foram criados, onde vemos lideranças carismáticas com participação ativa:
KAIRÓS
JOHN 17 MOVEMENT (23)
CONFERÊNCIA ECLESIAL DA AMAZÔNIA
SÍNODO DA AMAZÔNIA
A busca incessante pela união da Santa Sé com os carismáticos, já produziu seus efeitos. A união está consolidada. O “CONIC” (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil), um órgão ecumênico, já conta com a participação ativa de figuras expoentes tais como ASAPH BORBA e BENÉ GOMES (24), além de todos aqueles vinculados à “NAR”.
EMPODERANDO OU AMALDIÇOANDO?
O Dr. Martin Lloyd-Jones (1899-1981) considerava um “ataque à religião cristã”, não considerar o pecado o pior inimigo do homem. (25) Seguia o entendimento bíblico inequívoco de Charles H. Spurgeon (1834-1892), que apontava o terrível pecado de não se pregar contra o pecado. (26)
Essa tem sido a marca de todo fiel pregador do Evangelho: denunciar o pecado convidando o pecador ao arrependimento.
Essa deve ser a principal pregação de todo ministro fiel. Aos 67 anos de idade (1770), o Rev. John Wesley (1703-1791) escreveu uma carta ao seu irmão Charles Wesley (1707-1788), lamentando o tempo que não gastou com essa pregação. (27)
O Espírito Santo (II Pedro 1.21) usando o apóstolo Paulo diz que é amaldiçoado todo aquele que anunciar “OUTRO EVANGELHO” (Gl.1.8- NVT). “Amaldiçoado” ou “maldito”, no sentido bíblico, “é aquilo ou aquele sobre quem se lançou maldição” – (Dicionário Bíblico Online).
Quem amaldiçoa aqui é o próprio Deus, conforme fez em Gn. 3.14; 4.11. Portanto, Deus amaldiçoa, emite juízo de condenação, a todos aqueles que pregam “OUTRO EVANGELHO”, que for diferente daquele que Paulo pregava.
QUE EVANGELHO PAULO PREGAVA?
1) O EVANGELHO DA CRUZ (I Co.1.23; I Co.15.31; Gl. 2.19-20)
O “Evangelho da Cruz” fala de coisas que o pecador não gosta de ouvir: renúncia, mudança de vida, vida de piedade que implica em perseguições (II Tm. 3.12).
2) O EVANGELHO QUE FALA DO ARREPENDIMENTO (Atos 17.30; 26.18-20)
Sem o arrependimento não há remissão de pecados (Atos 2.38; Lc. 24.47 – NVT)
3) O EVANGELHO QUE FALA DA IRA DE DEUS (Rm. 3.5-6 – NVI; I Ts. 1.8-10 – NVT, c/c Atos 17.31)
A pregação de mero assentimento ao nome do Senhor Jesus Cristo, é “OUTRO EVANGELHO”. O Rev. John Wesley (1703- 1791) afirma que esse tipo de pregação de simples assentimento ao nome de Jesus, é coisa que até os demônios são capazes de aceitar. (28)
Todos os pregadores vinculados à “NAR”, ao “EMPOWERED21”, à “JOCUM”, participantes da Conferência “KAIRÓS”, ao movimento “JOHN17”, ao “THE SEND”, ao “CfaN”, ligados ao “CMI”, formam um só grupo: CARISMÁTICOS ECUMÊNICOS.
Todos são pregadores de “OUTRO EVANGELHO”. “Evangelho” sem cruz, sem denúncia do pecado, sem convite ao arrependimento, e nunca tratam da ira de Deus.
Um dos membros desse grupo de carismáticos, TODD WHITE, recentemente reconheceu que estava pregando um falso evangelho (outro evangelho). (29)
CONCLUSÃO
Os Carismáticos, especialmente os da América Latina, estão ligados ao Papa. Essa aproximação aos católicos romanos (ecumenismo), amplia o mercado consumidor. A mentalidade antissemita vem a reboque. A soberania brasileira sobre a Amazônia torna-se irrelevante para os participantes do grupo.
Assim caminham os carismáticos, apoiados por outros crentes mal informados ou acríticos.
“Amados, quando empregava toda a diligencia em escrever-vos acerca de nossa salvação comum, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos“.
Judas 1.3
Presbítero Ivo Matias Damas
CITAÇÕES
1- “War On The Saints” – Ed. Thomas e Lowe Ltd.; Reprint ed.1909 – 1994 The full text Unbridged Edition- by Jessie Penn Lewis with Evan Roberts, p.67
3 – “inimigo Judeu: Propaganda Nazista Durante a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto- Ed.Edipro/SP, 2014 www1.folha.uol.com.br – “A Igreja Católica Fortaleceu o Antissemitismo”.
4 – “et ideo judaei precaverunt, nom solum hominis Christi, sed tanquan Dei crucifixores” (é por isso que os judeus pecaram, não só crucificando o homem Cristo, mas também crucificando-o como Deus… pelo mistério da união hipostática. Suma Teológica, III, q.47, a. 5ad 3 .
7 – “The Rise of Network Christianity: How Independent Leaders Are Changing The Religious Landscape (Global Pentecost Charismatic Christianity)”- Ed.Oxford University Press- 1a. ed., 2017- Brad Christerson with Richard Flory
8 – Wilfred Trotter em: “Instincts of The Herd In Peace & War”- Ed.Suzeteo Enterprises, 2019- 1a.edição em 1914..
9 – “Shaping History Through Prayer And Fasting”- Ed.Whitaker Distribuition, 2002- By Derek Prince – Livro prefaciado por LOU ENGLE
22 – http://www.ilhu.unisinos.br – “Ecumenismo, o Caminho Rumo ao Encontro”- Artigo de Andrea Riccardi- Historiador italiano- Jornal Awenire de 02.12.2014 .
24 – https://www.conic.org.br – “Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – Conferência Reúne Católicos e Evangélicos Pela Unidade”.
25 – “Sincero, Mas Errado” – Editora Fiel/SJC-SP, 1a.ed. 1951, 2a.ed.2011- Dr. Martyn Lloyd-Jones .
26 – “O Grande Pecado de Não Fazer Nada” – sermão de Charles H. Spurgeon pregado em 05.08.1886 .
27 – Carta de John Wesley a seu irmão Charles Wesley, escrita em 1770 . cf. Richard P. Heizenrater, em seu ensaio “Princípios e Práticas da Pregação de John Wesley”, 1997, nas Lectures In Several Occasions, nr.1- Centro de Estudos Metodistas da Biblioteca Bridwell, p.29 .
28 – Sermão nr.18 de John Wesley – “Os Sinais do Novo Nascimento” .
29 – https://m.guiame.com.br – “TODD WHITE Se Arrepende Por Não Pregar Todo Evangelho”: ‘É preciso apontar o pecado’ .
– “A Distinção: Crítica Social do Julgamento” – Ed.Zouk/RS, 2011/2a. edição – 1a. edição em 1979- Pierre Bordieux (1930-2002)
– “O Comportamento do Consumidor: Comprando, Possuindo e Sendo” – Ed. Bokman/RS, 2016 – 11a. edição.
– https://ilhu.unisinos.br – “Walter Altmann – “70 Anos do Conselho Mundial de Igrejas- CMI – Pronunciamento de Walter Altmann .
– “Global Comunication: Is These a Place For Human Divinity?- Ed. World Council of Churches, 1996 .
– “Locusts And Wild Honey: The Charismatic Renewal And The Ecumenical Movement”. Rex Davis- Ed.World Council of Churches, 1978.
– https://g1.globo.com – “Bolsonaro diz que a Amazônia é nossa e não como o Papa tuitou ontem, não, tá?”
– Catholic News Service, 03.06.2017 .
– http://www.christianity.va – “Presentation If Pastor Moab Cesar Carvalho ( Assemblies of God) – Pontifical Council For Promoting Christian Unity”- saudação ao Papa no Sínodo.
– Revista Brasileira de Diálogo Ecumênico Inter-Religioso – “Uma Abordagem Histórica do Ecumenismo Pentecostal na América Latina” – Josiah Baker. Caminhos de Diálogo, Curitiba/PR, ano 8, nr.13, p.287-307, jul/dez.2020 .