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#12 – Sobre O Sacrifício Na Missa

O Sacrifício da Missa

O que é um Sacrifício? Tocante a este ponto, primeiro estabelecerei o que deve ser entendido pelo nome “sacrifício”. Um sacrifício é tomado de forma própria, ou de forma imprópria. Propriamente, é uma ação sagrada ou solene, na qual o homem oferece e consagra alguma coisa corporal externa a Deus para este fim, de agradá-lo e honrá-lo com isso. Assim, todos os sacrifícios do Antigo Testamento, e a oblação de Cristo na cruz no Novo Testamento, são sacrifícios. Impropriamente, isto é, apenas por via de semelhança, os deveres da lei moral são chamados de sacrifícios. E ao lidar com esta questão, entendo um sacrifício tanto propriamente quanto impropriamente por via de semelhança.

I. Nosso Consenso com Roma.

O nosso consenso eu proponho em duas conclusões.

Conclusão I. Que a Ceia do Senhor é um sacrifício, e pode verdadeiramente ser assim chamada como tem sido nas eras passadas; e isso a três respeitos. I. Porque é um memorial do verdadeiro sacrifício de Cristo na cruz, e contém adicionalmente uma ação de graças a Deus pelo mesmo, a qual ação de graças é o sacrifício e os novilhos dos nossos lábios. Heb. 13:15. II. Porque cada comunicante apresenta ali a si mesmo, corpo e alma, como um sacrifício vivo, santo e aceitável a Deus. Pois assim como neste sacramento Deus nos dá a Cristo, com os seus benefícios; assim nós, em resposta, nos entregamos a Deus como servos para andar na prática de toda a devida obediência. III. É chamado de um sacrifício em respeito àquilo que foi juntado ao sacramento, a saber, as esmolas dadas aos pobres como um testemunho da nossa gratidão a Deus. E a este respeito também, os antigos pais chamaram o sacramento de um sacrifício incruento (sem sangue): e a mesa, de um altar; os ministros de sacerdotes: e toda a ação uma oblação não a Deus, mas à congregação, e não apenas pelo sacerdote, mas pelo povo. Um cânone de um certo Concílio diz: Nós decretamos que todo dia do Senhor a oblação do altar seja oferecida por cada homem e mulher, tanto pão quanto vinho. E Agostinho diz que as mulheres oferecem um sacrifício no altar do Senhor, para que pudesse ser oferecido pelo sacerdote a Deus. (Epist. 122.) E usualmente, nos escritores antigos, a comunhão de todo o corpo da congregação é chamada de sacrifício ou oblação.

Conclusão II. Que o próprio corpo de Cristo é oferecido na Ceia do Senhor. Pois assim como tomamos o pão como sendo o corpo de Cristo sacramentalmente por semelhança e não de outra forma: assim o partir do pão é sacramentalmente o sacrifício ou oferecimento de Cristo na cruz. E assim os pais chamaram a Eucaristia de uma imolação de Cristo, porque é uma comemoração do seu sacrifício na cruz. Aug. Epist. 23. Nem mente aquele que diz que Cristo foi oferecido. Pois se os sacramentos não tivessem a semelhança das coisas das quais são sacramentos, eles não seriam de forma alguma sacramentos: mas de uma semelhança, eles frequentemente tomam os seus nomes. Novamente, Cristo é sacrificado na última ceia, em consideração à fé dos comunicantes, que faz com que uma coisa passada e feita seja como presente. Agostinho diz: Quando cremos em Cristo, ele é oferecido por nós diariamente. E: Cristo então é morto para cada um, quando este crê que ele foi morto por ele. (Lib. 2. quaest. vet. & Nov. Test. Ad Rom). Ambrósio diz: Cristo é sacrificado diariamente nas mentes dos crentes, como sobre um altar (Lib. 2 de Virg.). Jerônimo diz: Ele é sempre oferecido aos crentes. (Ad Damas).

II. A Diferença com Roma.

Eles fazem a Eucaristia ser um sacrifício real, externo, ou corporal oferecido a Deus: defendendo e ensinando que o ministro é um sacerdote propriamente dito: e que neste sacramento ele oferece o corpo e o sangue de Cristo a Deus, o Pai, real e propriamente, sob as formas do pão e do vinho. Nós não reconhecemos nenhum sacrifício real, exterior ou corporal para a remissão dos pecados, mas apenas a oblação de Cristo na cruz, oferecida uma única vez. Aqui está a principal diferença entre nós, no tocante a este ponto: e ela é de tal peso e importância, que eles, mantendo rigidamente a sua opinião (como o fazem), não podem ser Igreja de Deus. Pois este ponto destrói o fundamento até o fundo. E para que possa parecer melhor que nós declaramos a verdade, primeiro confirmarei a nossa doutrina pela Escritura, e em segundo lugar refutarei as razões que eles trazem para si mesmos.

III. Nossas Razões.

Razão I. Heb. 9, v. 15 e 26: e cap. 10, v. 10. O Espírito Santo diz: Cristo ofereceu a si mesmo apenas uma vez. Portanto, não muitas vezes: e assim não pode haver oferecimento real ou corporal do seu corpo e sangue no sacramento da sua Ceia: o texto é claro. Os papistas respondem assim. O sacrifício de Cristo (dizem eles) é um só quanto à substância, contudo em relação à maneira de oferecer ele é ou cruento ou incruento, e o Espírito Santo fala apenas do sacrifício cruento de Cristo: o qual foi de fato oferecido apenas uma vez. Nós respondemos: Mas o autor desta epístola toma como certo que o sacrifício de Cristo é apenas um, e que é o sacrifício cruento. Pois ele diz, Heb. 9, v. 25: Cristo não ofereceu a si mesmo muitas vezes, como os sumos sacerdotes faziam; e v. 26: Porque então ele teria que sofrer muitas vezes desde a fundação do mundo: mas agora no fim ele apareceu uma vez para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. E v. 22: SEM DERRAMAMENTO DE SANGUE NÃO HÁ remissão de pecado. Por estas palavras é claro que a escritura nunca conheceu a dupla maneira de sacrificar a Cristo. E toda distinção na teologia não fundada na palavra escrita, é apenas uma invenção do cérebro humano. E se esta distinção fosse boa, como se manteria a razão do Apóstolo – Ele não se ofereceu senão uma vez, porque sofreu apenas uma vez.

Razão II. A Igreja de Roma defende que o sacrifício na Ceia do Senhor é tudo um só em substância com o sacrifício que ele ofereceu na cruz: se isto for assim, então o sacrifício na Eucaristia deve ser ou uma continuação daquele sacrifício que foi iniciado na cruz, ou senão uma iteração ou repetição dele. Ora, deixem que eles escolham destas duas qual eles querem: se disserem que é uma continuação do sacrifício na cruz, sendo Cristo apenas o iniciador e o sacerdote o consumador do mesmo, eles o tornam imperfeito: pois continuar uma coisa até que seja cumprida, é trazer-lhe perfeição: mas o sacrifício de Cristo na cruz foi então totalmente aperfeiçoado, como pelo seu próprio testemunho aparece, quando ele disse, consummatum est, está consumado. Novamente, se disserem que é uma repetição do sacrifício de Cristo, nisto também eles o fazem imperfeito, pois essa é a razão que o Espírito Santo usa para provar que os sacrifícios do Antigo Testamento eram imperfeitos, porque eram repetidos.

Razão III. Um sacrifício real e exterior em um sacramento é contra a natureza de um sacramento e especialmente da ceia do Senhor: pois um fim da mesma é manter na memória o sacrifício de Cristo. Ora, toda lembrança deve ser de uma coisa ausente, passada e feita: e se Cristo é diária e realmente sacrificado, o sacramento não é um memorial adequado do seu sacrifício. Novamente, o fim principal para o qual o sacramento foi ordenado, é que Deus pudesse dar e nós receber a Cristo com os seus benefícios: e, portanto, dar e tomar, comer e beber são aqui as ações principais. Ora, num sacrifício real Deus não dá a Cristo e o sacerdote não o recebe de Deus; mas, pelo contrário, ele dá e oferece a Cristo a Deus, e Deus recebe alguma coisa de nós. Para remediar a questão eles dizem, que este sacrifício não serve propriamente para fazer qualquer satisfação a Deus, mas antes para aplicar a nós a satisfação de Cristo já tendo sido feita. Mas esta resposta ainda vai contra a natureza de um sacramento, no qual Deus dá Cristo a nós: ao passo que em um sacrifício Deus recebe do homem, e o homem dá alguma coisa a Deus: um sacrifício, portanto, não é um meio adequado para nos aplicar qualquer coisa que seja dada por Deus.

Razão IV. Heb. 7:24, 25. O Espírito Santo faz uma diferença entre Cristo o sumo sacerdote do Novo Testamento, e todos os sacerdotes levíticos nisto, que eles eram muitos, sucedendo um ao outro: mas ele é apenas um, tendo um sacerdócio eterno, o qual não pode passar dele para nenhum outro. Ora, se esta diferença é boa, então Cristo somente, em sua própria pessoa, deve ser o sacerdote do Novo Testamento, e nenhum outro com, ou, debaixo dele: de outra forma, no Novo Testamento, haveria mais sacerdotes em número do que no Antigo. Se eles disserem que toda a ação permanece na pessoa de Cristo, e que o sacerdote é apenas um instrumento sob ele (como eles dizem) eu digo novamente que é falso; porque toda a oblação é atuada ou feita pelo próprio sacerdote; e aquele que faz tudo, é mais do que um mero instrumento.

Razão V. Se o sacerdote de fato oferece a Deus o verdadeiro corpo e sangue de Cristo para o perdão dos nossos pecados, então o homem se tornou um mediador entre Deus e Cristo. Ora, a Igreja de Roma diz, que o sacerdote em sua missa é um sacerdote propriamente dito, e seu sacrifício um sacrifício real diferindo apenas na maneira de oferecer do sacrifício de Cristo na cruz: e no próprio Cânone da missa eles insinuam isso, quando pedem a Deus que aceite os seus dons e ofertas, a saber o próprio Cristo oferecido, assim como ele aceitou os sacrifícios de Abel e Noé. Ora, é absurdo pensar que qualquer criatura deva ser um mediador entre Cristo e Deus. Portanto, Cristo não pode possivelmente ser oferecido por qualquer criatura a Deus.

Razão VI. O julgamento da igreja antiga. Um certo Concílio realizado em Toledo, na Espanha, reprova os Ministros de que eles ofereciam sacrifício frequentemente no mesmo dia sem a santa comunhão. As palavras do Cânone são estas: Foi-nos relatado que certos sacerdotes não recebem tantas vezes a graça da santa comunhão, como eles oferecem sacrifícios em um dia: mas em um dia, se eles oferecem muitos sacrifícios a Deus, em TODAS AS OBLAÇÕES, ELES SUSPENDEM A SI MESMOS DA COMUNHÃO. Aqui, observe que os sacrifícios nas antigas missas nada mais eram senão formas de serviço divino; porque ninguém comunicava, nem mesmo o próprio sacerdote. E em um outro Concílio, o nome da missa é colocado apenas para uma forma de oração. Aprouve a nós, que preces, súplicas, Missas, as quais devem ser permitidas no Concílio—, sejam usadas. E neste sentido é tomado quando se fala em fazer ou compor missas: pois o sacrifício propiciatório do corpo e do sangue de Cristo não admite nenhuma composição.

O abade Pascásio diz: porque pecamos diariamente Cristo é sacrificado por nós MISTICAMENTE, e a sua Paixão é dada em mistério. Estas suas palavras são contra o sacrifício real: mas contudo ele se explica mais claramente, Capítulo 10. O sangue é bebido EM MISTÉRIO ESPIRITUALMENTE: e, é tudo ESPIRITUAL o que comemos. e Capítulo 12. O sacerdote—, distribui a cada um não tanto quanto a visão exterior dá, mas tanto quanto a FÉ RECEBE. Capítulo 13. A PLENA similitude é exteriormente, e a carne imaculada do cordeiro é pela FÉ INTERIORMENTE—, para que a verdade não falte ao sacramento, e não seja ridículo para os pagãos que bebamos o sangue de um homem morto. Capítulo 6. Um come a carne de Cristo espiritualmente e bebe o seu sangue, outro parece não receber nem um pedaço de pão da mão do sacerdote: a sua razão é, porque eles vêm despreparados. Ora então, considerando que em todos estes lugares ele não faz recebimento nenhum senão o espiritual, nem tampouco ele faz nenhum sacrifício que não seja o espiritual.

IV. Objeções dos Papistas.

Objeção I. Gên. 14, v. 18. Quando Abraão estava voltando da matança dos Reis, Melquisedeque o encontrou e trouxe pão e vinho; e ele era sacerdote do Deus altíssimo. Ora, este pão e vinho (dizem eles) ele trouxe para oferecer por um sacrifício; porque é dito que ele era um sacerdote do Deus altíssimo: e eles raciocinam assim: Cristo era um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque: portanto, assim como Melquisedeque ofereceu pão e vinho, assim Cristo, sob as formas de pão e vinho, oferece a si mesmo em sacrifício a Deus.

Resposta. Melquisedeque não foi tipo de Cristo em relação ao ato de sacrificar, mas em relação à sua pessoa e coisas pertinentes a isso, as quais são todas completamente expostas em Hebreus 7, a suma do que é isto: I. Melquisedeque foi tanto rei quanto sacerdote: assim foi Cristo. II. Ele era um príncipe de paz e de justiça: assim foi Cristo. III. Ele não tinha pai nem mãe: porque a Escritura, ao estabelecer a sua história, não faz menção do começo nem do fim de seus dias: e assim Cristo não tinha pai nem mãe: nenhum pai, como ele era homem; nenhuma mãe, como ele era Deus. IV. Melquisedeque, sendo maior que Abraão, o abençoou, e Cristo pelo poder de seu sacerdócio abençoa, isto é, justifica e santifica a todos aqueles que são da fé de Abraão.

Somente nestas coisas consiste a semelhança e não na oferta de pão e vinho. Novamente, o fim de trazer o pão e o vinho não foi fazer um sacrifício, mas revigorar a Abraão e aos seus servos, que vinham da matança dos Reis. E ele é chamado aqui de sacerdote do Deus altíssimo, não em relação a qualquer sacrifício; mas em consideração da sua bênção sobre Abraão, como a ordem das palavras ensina: E ele era sacerdote do Deus altíssimo, e portanto o abençoou. Terceiro, mesmo que fosse concedido que ele trouxe pão e vinho para oferecer em sacrifício, ainda assim não se seguiria que, no sacramento, o próprio Cristo devesse ser oferecido a Deus sob as formas nuas de pão e vinho. O pão e o vinho de Melquisedeque seriam tipos absurdos de não-pão e não-vinho, ou, de formas de pão e vinho no Sacramento.

Objeção II. O cordeiro pascal era tanto um sacrifício quanto um sacramento: ora, a Eucaristia entra no lugar dele.

Resposta. O cordeiro pascal era um sacramento, mas nenhum sacrifício. De fato, Cristo disse aos seus discípulos: Ide e preparai um lugar para sacrificar a Páscoa, Mar. 14:12; mas as palavras oferecer, ou sacrificar, muitas vezes não significam nada mais que matar. Como quando Jacó e Labão fizeram uma aliança; é dito: Jacó sacrificou animais, e chamou os seus irmãos para comer pão, Gên. 31:54, cujas palavras não devem ser entendidas de matar para sacrifício, mas de matar para um banquete: porque ele não poderia, de boa consciência, convidá-los para o seu sacrifício, visto que estavam fora da aliança, sendo (como eles eram) de outra religião: em segundo lugar, pode ser chamado de um sacrifício, porque foi morto à maneira de um sacrifício. Em terceiro lugar, quando Saul procurava as jumentas do seu pai e perguntou pelo Vidente, uma donzela lhe mandou subir com pressa: pois (ela disse) há um sacrifício do povo hoje no lugar alto, 1 Sam. 9:12, onde a festa que foi celebrada em Ramá, é chamada de sacrifício; com toda a probabilidade porque, no início dela, o sacerdote oferecia um sacrifício a Deus: e assim a Páscoa pode ser chamada de um sacrifício, porque os sacrifícios eram oferecidos dentro do âmbito da festa designada ou solenidade da Páscoa e contudo a coisa em si não era mais um sacrifício do que a festa em Ramá foi. Novamente, se fosse concedido que a Páscoa era ambos, isto não faria muito contra nós: pois a ceia do Senhor sucede a Páscoa apenas no que diz respeito ao fim principal dela, que é o aumento da nossa comunhão com Cristo.

Objeção III. Mal. 1:11. O profeta prediz um sacrifício puro que haverá no Novo Testamento: e que (dizem eles) é o sacrifício da Missa.

Resposta. Este lugar deve ser entendido de um sacrifício espiritual, como nós claramente perceberemos se o compararmos com 1 Tim. 2:8, onde o significado do profeta é adequadamente exposto. Quero (diz Paulo) que os homens orem em todos os lugares, LEVANTANDO MÃOS PURAS, sem ira nem dúvida. E este é o sacrifício puro dos gentios. Assim, Justino Mártir diz: Que súplicas e ações de graças são os ÚNICOS sacrifícios perfeitos que agradam a Deus, e que os cristãos aprenderam a OFERECER A ELES SOMENTE (Dialog. eum Triph.). E Tertuliano diz: Nós sacrificamos pela saúde do Imperador: como Deus ordenou com pura oração (Ad Scapulam.). E Irineu diz que esta oferenda pura a ser oferecida em todo lugar, são as orações dos Santos (Lib. 4. c. 3).

Objeção IV. Heb. 13:10. Temos um altar, do qual não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo. Ora (dizem eles) se temos um altar, então nós devemos necessariamente ter um sacerdote: e também um sacrifício real.

Resposta. Aqui se entende não um altar corporal, mas espiritual; porque o altar é oposto ao Tabernáculo material: e o que é significado por ele é expresso no verso seguinte, no qual ele prova que nós temos um altar. Os corpos dos animais, cujo sangue era trazido para o santuário pelo sumo sacerdote por causa do pecado, eram queimados fora do acampamento; assim Jesus Cristo, para que pudesse santificar o povo com o seu próprio sangue, sofreu fora da porta. Ora, aplique a razão ou prova à coisa que é provada, e devemos necessariamente compreender o próprio Cristo, que era tanto o altar, como o sacerdote, e o sacrifício.

Objeção V. Por último, eles dizem, onde há alteração tanto da lei quanto da aliança: ali deve necessariamente haver um novo sacerdote e um novo sacrifício. Mas no Novo Testamento há alteração tanto da lei quanto da aliança: e, portanto, há tanto novo sacerdote quanto novo sacrifício.

Resposta. Tudo pode ser concedido: no Novo Testamento, há tanto novo sacerdote quanto sacrifício: contudo não nenhum sacerdote papista, mas apenas o próprio Cristo, tanto Deus quanto homem. O sacrifício também é Cristo como ele é homem: e o altar, Cristo como ele é Deus, que no Novo Testamento ofereceu a si mesmo um sacrifício ao seu Pai pelos pecados do mundo. Pois embora ele fosse o cordeiro de Deus morto desde a fundação do mundo, em relação ao propósito de Deus, em relação ao valor de seu mérito, e em relação à fé que faz as coisas vindouras como presentes, ele ainda não foi realmente oferecido até que chegasse a plenitude do tempo; e uma vez oferecendo a si mesmo, ele permanece sacerdote para sempre, e todos os outros sacerdotes além dele são supérfluos: sua única oferta, oferecida uma vez, sendo totalmente suficiente.


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